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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Mão Direita


A Mão Direita



A Mão Direita era sábia e inteligente. Quando era jovem,passava o tempo livre folhando livros e mais livros,na busca do conhecimento e do saber.Depois que logrou êxito em seus estudos,conseguiu um bom emprego,formou  uma família, mas nunca deixou escapar uma boa oportunidade, assim que ela aparecia. Por entre seus dedos ágeis, iam se somando grandes investimentos e assim ele formou uma base sólida, criou uma empresa e passou a administrar os seus funcionários pessoalmente. Todos o consideravam um homem bom. Distribuía igualmente a quem precisasse, o que para ele não fazia falta. Era honesto e muito competente em tudo o que fazia. Mas tinha um defeito, como não poderia deixar de ser. Ficava horas e horas observando o que fazia a sua mão esquerda. Se ela cometesse um engano, a advertia verbalmente e de forma ríspida, para que todos pudessem ouvir. Muitas vezes humilhava os dedinhos da mão esquerda, que não eram tão sábios quanto os dedos da sua mão direita. Não admitia erros e não suportava que alguém lhe dissesse que estava errado. A Mão Direita tinha um ponto fraco: era apaixonado pelo Dedo Mínimo. Por esse dedo, fazia o possível e o impossível. Assim, se alguém precisasse chegar até ele, bastava que falasse ao ouvido do Dedo Mínimo, para que a Mão Direita escutasse. Entretanto, tudo o que fazia a Mão Direita, a esquerda ficava sabendo e muitas vezes, de forma não muito agradável. Assim, os dedinhos da mão esquerda trabalhavam sempre de cabeça baixa, temendo por seus empregos. E eram monitorados o tempo todo por câmeras de vigilância, para que não perdessem um minuto sequer fazendo algo que não se relacionasse exclusivamente com seus afazeres. Todos trabalhavam com medo e a Mão Direita dizia que só assim todos poderiam respeitá-lo e trabalhavam exaustivamente porque precisavam do emprego. Algumas vezes a Mão Direita ameaçava tirar da Mão Esquerda, os anéis que havia dado em um momento de complacência. Então os dedinhos da Mão Esquerda ficavam deprimidos e angustiados e já não conseguiam trabalhar nem dormir descansados. Um dia apareceu um sábio que confabulou ao ouvido da Mão Direita:
“ Que não saiba a Mão Esquerda, o que faz a Mão Direita...”


Débora Benvenuti
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