MEU LIVRO - EDITORA CORPOS - PORTUGAL

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A MENTIRA E A VERDADE



A Mentira e a Verdade




A Mentira saiu cedo,

mal tinha clareado o dia.

Precisava de um bom motivo

para atrair a Verdade

e torná-la sua amiga.

Sabia que precisava ser esperta,

por que com a astúcia da Verdade,

nenhuma mentira escapava.

Então pensou no caráter da Verdade

e no quanto ela se orgulhava

de nunca ter contado uma mentira.

Sendo assim, tinha que ter muito cuidado,

para fazer uma mentira parecer uma verdade.

Foi aí que se lembrou de algo que estava escondido

numa caixinha dourada,

onde a Verdade guardava toda a sua sinceridade.

Percorreu algumas ruas da cidade,

aquela hora da madrugada,

enquanto todos dormiam

e ninguém estava acordado.

Foi até a casa da Verdade

e retirou do armário a caixinha dourada.

Não se conteve

e a Curiosidade foi maior que a ingenuidade,

pois a Mentira abriu a caixinha

e deixou escapar toda a Verdade.

Quando percebeu que a Verdade havia escapado,

ficou muito preocupada,

agora sim é que estava numa enrascada.

Teria que falar a verdade para não ser desmoralizada.

A Verdade acordou e encontrou a Mentira ao seu lado,

fingindo que não estava mexendo em nada.

A Verdade então foi verificar,

se tudo estava em seu lugar,

então percebeu que várias verdades

haviam escapado

de dentro da caixinha dourada.

A Mentira então descobriu,

que havia caído em uma cilada

e teria que falar a verdade,

mas isso era uma coisa que ela abominava.

Seria a mesma coisa que confessar um erro,

e para isso não estava preparada.

A Verdade disse que queria todas as suas verdades

de novo ali guardadas

e incumbiu a Mentira de resgatar toda a verdade.

Essa foi a única vez,

que a Mentira se encontrou numa encruzilhada:

Teria que contar a verdade,

senão seria desmoralizada.

Saiu então a procura da Verdade

e por onde passava,

ia recolhendo as verdades

e as colocando num saquinho improvisado.

Depois de muito trabalho,

ela voltou mais descansada.

Correr atrás da Verdade

não era coisa a ser desprezada,

dava trabalho, é verdade.

Mas já havia aprendido a lição.

Quanto mais mentiras ela inventasse,

mais teria que encontrar uma verdade,

que a superasse...



Débora Benvenuti

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A SAUDADE E O AMOR



A Saudade e o Amor

 

Um coração angustiado,

depois de muito sentir dor,

foi procurar um doutor

para saber por que sentia

algo assim, tão desanimador:

- Uma sensação muito fria,

que insistia e persistia,

deixando até a alma vazia.

Queria estar com seu Amor,

falar das coisas

que fazia durante o dia,

falar de coisas tão pequenas

mas tão amenas,

que até o doutor sentiu pena,

do coração que sofria,

sem saber que o que sentia,

era a dor do Amor.

Esse Amor que existia

e que ele até sentia,

mas que não tinha alguém

que alimentasse o coração sofredor.

E quanto mais ele falasse

dos sintomas que sentia,

pedia ao doutor que amenizasse

os sintomas da ausência do Amor.

E o doutor já sabendo o desenlace,

antes que a consulta acabasse,

falou ao coração que abraçasse

o Amor quando ele chegasse,

e procurasse alguém que alimentasse

o seu interior,

com palavras de carinho,

conforto e muito Amor

e que falasse baixinho,

para que o coração deixasse

de sentir essa sensação,

que desgasta, desnutre e mata

quem dela sofre sentindo dor.

A dor da Saudade

de quem vive sem Amor...



Débora Benvenuti


O ABRAÇO


 
 
O Abraço

 


Hoje a noite não tem luar,

mas eu distingo o teu vulto

em qualquer lugar.

Conheço cada detalhe do teu corpo

e até posso imaginar as tuas mãos

pelo meu corpo escorregar.

Mãos suaves, macias, delicadas.

Mãos que foram feitas para me tocar

e com carinho o meu rosto acariciar.

Sinto o perfume que se espalha pelo ar

e sei que é você que vem me encontrar.

Saio a tua procura na noite escura.

Sinto o frio que me enregela a alma

e a neblina cada vez mais densa,

só me convence,

que preciso continuar,

nessa busca incessante,

que faz meu coração vibrante imaginar,

na noite te encontrar.

Percebo ao longe,

cada vez mais distante,

o teu vulto se afastar.

Apresso o passo,

quero logo te alcançar,

mas cada vez mais,

de mim estás a te afastar.

Na distância,

me estendes os braços,

e me envolves com teu abraço.

Abro os olhos e percebo

que os braços que me abraçam,

não aquecem meu coração,

porque os braços que me abraçam,

são os teus...SOLIDÃO!




Débora Benvenuti

 
 
 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Prateleira de Saudades







 


Prateleira de Saudades



 

Em cada prateleira

guardo bem fechadas,

caixinhas amarradas

com fitas amareladas.

Fotos antigas,

pelo tempo desbotadas.

Pedacinhos de papéis,

onde escrevia versos

e de tão ingênuos,

os guardei e ainda os tenho,

para sempre te lembrar.

Em cada prateleira,

uma caixinha com fitas amarradas.

São pedacinhos de um passado

que jamais foi superado.

Ainda as vejo,

quando sinto renascer

o desejo de te ver

e relembrar a chama do desejo

que vi no teu olhar

e que aos pouco se apagou

na saudade que você deixou.

Na prateleira,

as caixinhas são surpresas.

Cada vez que as vejo,

de dentro delas ainda surgem,

flores do campo perfumadas,

que ficaram amassadas,

de tanto ficarem guardadas,

na prateleira de Saudades.



Débora Benvenuti

 
 

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Imaginação e o Silêncio





A Imaginação e o Silêncio







A Imaginação precisava encontrar

o Silêncio e com ele conversar.

Há muito tempo se sentia desanimada

e não mais conseguia imaginar.

Seus pensamentos eram confusos

e as idéias não mais a ajudavam

a se encontrar.

Decidida a descobrir

o que a fazia assim agir,

saiu na madrugada a procura

do Silêncio e o encontrou sozinho,

no alto de um penhasco.

O Silêncio observou a Imaginação

se aproximar

e logo pensou no que ela

iria falar.

Sabia tudo o que acontecia

com a amiga,

mas como era muito observador,

não queria aquele momento transpor.

Ficou em silêncio,

como era do seu costume.

Sabia o quanto a Imaginação

estava cansada.

Suas asas estavam quebradas

e ela não conseguia mais voar.

A Imaginação se aproximou

do Silêncio e se pôs a falar:

- Amigo Silêncio, pode me escutar?

Ao que o Silêncio concordou,

balançando a cabeça, docemente.

- Estou a escutar...

A Imaginação então contou ao Silêncio,

o que a impedia de voar.

Da última vez que sonhara,

voara tão alto,

que esquecera das suas asas cuidar.

Quando percebera

que o sonho acabara,

do alto daquele penhasco despencara,

e suas asas quebrara.

Assim, não mais podia voar,

como tantas vezes fizera.

O Silêncio nada podia fazer,

para consolar a Imaginação.

Sentia uma enorme vontade

de falar,

mas não sabia como

se expressar.

Então, estendeu os braços

e envolveu a Imaginação,

com tanto carinho,

que ela se pôs a soluçar.

O Silêncio cuidou dos ferimentos

da Imaginação,

até que ela pudesse voar.

E numa manhã ensolarada,

a Imaginação se sentiu

mais animada,

se sentiu reconfortada.

Do alto do penhasco,

se despediu do Silêncio,

bateu as asas com cuidado

e percebeu que estava curada.

Agradeceu ao Silêncio

e se lançou do nada,

na imensidão do espaço

que a esperava...



Débora Benvenuti


sábado, 24 de abril de 2010

A Nuvem e o Amor






A Nuvem e o Amor




 

Uma Nuvem vivia no céu a sonhar.

Queria muito um amor encontrar,

mas não sabia como fazer,

para chamar a atenção do Amor

e fazer ele por ela se apaixonar.

Sentiu a presença do Vento

e lembrou-se que poderia com ele contar,

para o seu sonho realizar.

- Amigo Vento,

disse a nuvem a sonhar,

preciso muito que me ajudes

a um sonho realizar:

Quero muito um Amor encontrar.

O Vento escutou aquele lamento

e resolveu a Nuvem ajudar.

Soprou forte, por um momento,

até ver a Nuvem em um coração

se transformar.

A Nuvem ficou tão contente,

suspirou profundamente,

quando viu o Amor para ela olhar.

Sentiu imediatamente,

que poderia pelo Amor se apaixonar.

E ele aquela linda Nuvem se pôs a admirar.

A Nuvem preferiu nada falar,

sobre a sua condição momentânea.

Amou o Amor com todo o ardor

que havia em seu coração.

E o Amor amou aquela Nuvem,

como jamais julgara amar.

Foram momentos tão felizes,

que o Amor se sentiu nas nuvens.

Adormeceu aconchegado

aquele colo tão macio e aveludado .

Quando acordou, percebeu que a Nuvem

não estava mais ao seu lado.

A Nuvem chorava amargurada,

porque pensou que o Amor a tivesse

abandonado,

mas o Vento que por ali passava,

já a havia transformado

e muito longe dali a transportara.

O Amor a procurou por todo o lado,

mas nunca mais encontrou a Nuvem

por quem havia se apaixonado...

E a Nuvem até hoje,

continua no céu vagando,

em noites enluaradas,

procurando por esse Amor

que a deixou tão arrasada...


 

Débora Benvenuti





Nota: Veja o poema em vídeo .