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domingo, 25 de julho de 2010

A SOMBRA



A Sombra





Depois de muito me acompanhar

em noites enluaradas,

nas tarde encabuladas,

quando todos dormiam a sesta

sem pensar mais em nada,

sinto que não mais tenho

quem me siga na calçada.

A minha sombra se ausentou

e nem recado me deixou.

Procurei-a por todo o lado

e ninguém sabia me dizer

o que minha Sombra andava a fazer.

Perguntei ao Vento

se ouvira algum lamento,

algo que indicasse

que minha sombra sofria

de alguma dor que eu não sabia,

mas o Vento,indiferente

só por mim passou e nada falou.

Então a encontrei de braços dados

com outra Sombra que a mantinha ao seu lado.

As duas estavam apaixonadas

e me pediram que as deixassem partir,

sem nada pedir.

Simplesmente,

as deixasse existir.

Nesse instante percebi,

que mesmo sendo Sombras

eu não tinha o direito de impedir.

E lá se foram as duas,

caminhando lado a lado,

esquecidas de que Sombras

só são vistas na madrugada,

quando a lua encabulada

ilumina a rua lá do alto,

projetando sombras na calçada..



Débora Benvenuti
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