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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Poema e a Ilusão



O Poema e a Ilusão


O Poema estava apaixonado
pela Ilusão.
Escrevia versos e tentava
conquistar seu coração.
Com palavras carinhosas,
fazia todo o dia
uma declaração.
A Ilusão não queria
demonstrar a sua paixão.
Acreditava que tudo
não passava de uma mera confusão.
Por ser Ilusão,
muito cedo desapareceria
e causaria uma enorme decepção,
a esse coração que dizia amá-la
e não conseguiria viver
com a rejeição.
Sabia muito bem que sofreria,
e sabendo da sua triste condição,
tão logo percebesse o engano,
partiria sem rumo e sem direção.
O Poema, percebendo a sua hesitação,
pediu a Ilusão que convivesse
para sempre no seu coração.
Casariam sem muita badalação,
sem festa e sem convidados,
para não serem incomodados,
nesta nova fase
que iniciavam com tanta convicção.
Para não serem enganados,
selaram assim essa união:
O Poema viveria
e em seus versos escreveria,
tudo o que sentia,
mesmo sabendo que o que sentia
Era a mais pura ilusão.


Débora Benvenuti
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