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quarta-feira, 2 de junho de 2010

O TEMPO E O VENTO




O Tempo e o Vento

 

O Vento saiu de casa

assoviando alegre e contente.

Há muito não se sentia assim,

leve, sereno, feliz..

Passeava pela praia,

quando encontrou o Tempo,

se lamentando, contrafeito.

Por mais que se esforçasse,

sempre alguém encontrava

algum defeito.

Então ele soluçava

e algumas gotas do céu lançava.

Se estava quente ou se

estava frio,

alguém sempre reclamava.

E falavam que o Tempo virara.

Mas não terminavam a frase

e isso o incomodava.

O Vento então contava

por tudo que passara:

- Se soprava bem de leve

o chamavam de brisa fresca.

Ele então se enfurecia

e soprava com vontade.

Já erguera muitas saias

de moças encabuladas,

que ficavam ruborizadas

com essas coisas safadas,

que o Vento aprontava.

Quando isso acontecia,

o Vento se enfurecia,

soprava com toda a força,

que a todos espantava.

Muitos se escondiam

quando ele se aproximava.

Então o chamavam

por qualquer nome de mulher

e isso era um vexame

que ele não podia suportar.

Os dois se calaram

e pensaram no que fazer.

O Tempo resolveu se recolher

e logo escureceu.

O Vento se esqueceu

de todos os nomes que recebeu.

Mas prometeu se controlar,

se parassem de lhe chamar

de Brisa Fresca e de outros

nomes que preferia nem lembrar...



Débora Benvenuti



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